A arte é uma maneira de sair do convencional, a poesia possibilita imaginar, sonhar e sair do lugar comum. Pode-se deixar a imaginação nos levar em qualquer circunstância e momento. Imaginemos então que as cadeiras são aladas e serão elas a nos deslocar da realidade excessiva, assim como, do preconceito limitador e da obscuridade da visão, que não permite ver além do que é posto. O mundo é maior que o nosso conhecimento e as CADEIRAS ALADAS nos levam a diferentes mundos paralelos.

cenários:
morada da memória(2022)

 

A desconstrução é evidenciada nas transfigurações do espaço cotidiano por meio das transparências, sobreposições e negação das regras da perspectiva. O resultado são pinturas que mostram interiores que comentam o real  por meio de objetos e móveis transformados pelo intelecto sensível às formas e cores. Surgem espaços insólitos,  cenários onde os objetos que as compõem são personagens de si próprios, revelando representações inusitadas, que demarcam espaços, ao mesmo tempo em que se tornam espaços sem tempo, surgem no presente, representam o passado e questionam o futuro. Cenas que convidam a morar onde a memória habita. O devaneio poético, envolvido pela memória individual, pode levar para longe; ao mesmo tempo em que a materialidade da pintura traz para realidade, com as buscas pela sustentabilidade ambiental. Pintar sobre papelão questiona o descarte e representar móveis luxuosos sobre um suporte retirado do lixo reforça a dicotomia que nos faz refletir sobre os nossos descartes. A desconstrução explorada por meio das sobreposições e transparências é também explorada nas linhas feitas com pastel oleoso e tinta aguada. Várias linhas se sobrepondo desconstroem a ideia de limite da forma, assim como os recortes. 

 

 

Tema recorrente desde 1988. Com a intenção de desconstruir a visualidade cotidiana foram criados cenários fictícios que exploram o insólito; que resultam em ambientações utópicas que revela a percepção da realidade imbricada com o universo imaginário que, entre figuração e transfiguração, propõe uma visão que resgata a memória (individual e coletiva), onde o imaginário, o sonho e a ilusão se materializam na poesia visual dos cenários.

ESPAÇOS INSÓLITOS

Cadeiras aladas(2018)